
Professores relatam deepfakes sexuais criados por alunos e dizem que a situação está a mudar a forma como vêem o ensino
Professores de vários estabelecimentos de ensino estão a relatar que alunos criaram e partilharam imagens e vídeos sexuais manipulados com recurso a deepfakes, uma situação que os deixou abalados e mais cautelosos no contacto com os estudantes.
Entre os casos descritos está o de DeSantiago, que começou por ver uma imagem alterada a circular entre alunos. A fotografia partia de um registo real, mas mostrava-o em lingerie e em pose sugestiva. O episódio espalhou-se por duas escolas e levou a conversas com administradores, pais e polícia.
DeSantiago descobriu ainda contas que o imitavam nas redes sociais e recebeu comentários sexuais no seu perfil. Um dos estudantes admitiu ter criado a imagem e foi punido com suspensão, mas o professor diz que a situação continuou a alastrar e que deixou de se sentir seguro para regressar ao distrito.
Outros docentes relataram episódios semelhantes. Uma professora disse ter visto vídeos manipulados que a mostravam a despir-se e a dançar, enquanto outro professor contou que alunos partilharam uma imagem sua num contexto sexualizado. Em vários casos, os incidentes alteraram a relação dos docentes com a turma e levantaram preocupações sobre o que mais poderá estar a ser partilhado em privado.
A situação também levanta questões legais e laborais. A partilha de imagens íntimas não consentidas, incluindo conteúdo gerado por inteligência artificial, pode ser enquadrada como assédio sexual no local de trabalho e, em alguns casos, como cyberstalking. Ainda assim, não existe uma resposta única para as escolas, que têm de decidir como agir para proteger os professores e conter a circulação destas imagens.
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